Cinelândia
A praça que se encontra no final da Avenida Rio Branco ficou assim conhecida por ter concentrado as melhores salas de cinema da cidade maravilhosa, a partir de 1920. Cinelândia é na verdade um apelido, já que seu verdadeiro nome é Praça Marechal Floriano Peixoto, que também já foi Largo da Mãe do Bispo. Ali existia o Convento da Ajuda, construído em 1750 e demolido em 1911.
Cinemas
Palco das grandes manifestações públicas, seu nome ficou gravado na memória da cidade por abrigar um grande número de cinemas, tais como: Cine Odeon, Cineac Trianon, Cinema Parisiense, Império, Pathé, Capitólio, Rex, Ravióli, Vitória, Palácio, Metro Passeio, Plaza e Colonial. Hoje, apenas o Odeon permanecem funcionando, sob os auspícios de uma empresa de petróleo.
Monroe: construção e demolição
O primeiro edifício oficial a ser inaugurado na atual Avenida Rio Branco, antiga Avenida Central, o Palácio Monroe foi construído para abrigar a Exposição Internacional de Saint Louis, em 1904. Projetado pelo general Francisco Souza Aguiar, o edifício também foi premiado, tornando-se a primeira obra de arquitetura brasileira a ser reconhecida internacionalmente. Seu nome é uma homenagem ao presidente James Monroe, por uma visita que realizara ao pavilhão da exposição, seguida por outra visita que o secretário Elihu Root fizera à cidade no ano de 1906, ano que o edifício foi reinaugurado depois de ter suas obras totalmente concluída. Até 1914 continuou a exercer função de pavilhão de exposição, quando, então, passou por reformas para abrigar a Câmara de Deputados, que ali permaneceu até 1922. De 1925 a 1930 passou a ser ocupado pelo Senado Federal, dissolvido em razão da Revolução de 30.
Em 1976, com as obras do metrô, foi pedida a sua demolição, apoiada por baluartes da arquitetura moderna e por parte da imprensa que o atacava veementemente através de editoriais. Do outro lado, o IAB e o Clube de Engenharia tentavam de todas as maneiras preservar o edifício. Contudo, nem mesmo alterações no traçado do metrô foram suficientes para salvar o palácio, que viria a ser demolido no mesmo ano.
Cinelândia hoje
Hoje a Praça continua sendo a diva da cidade, congregando o maior volume artístico e arquitetônico, envolvendo a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de Belas Artes, o Teatro Municipal, o Centro Cultural da Justiça Federal, além do charmoso e resistente Teatro Rival. Integrada ao Polo Novo Rio Antigo, os empresários e gestores de espaços culturais locais têm investido todo esforço para melhoria da infra-estrutura urbana de modo a favorecer a segurança e o bem-estar de turistas e visitantes que circulam pelo local todos os dias.
Lapa
A festa no seu sentido mais nobre (com uma multiplicidade de gêneros e artistas) e no seu território mais fértil (na rua, na praça, na casa e na pista). Eis a Lapa. Ornada por um dos mais enigmáticos cartões postais da cidade, o Aqueduto da Carioca estria a praça recriando ao seu modo o encontro entre o antigo e o novo, com soberania e exatidão. Fonte transbordante de lirismo e poesia poder-se-ia dizer que a Lapa é o mito fundador do espírito da Cidade Maravilhosa, berço de todos os ritmos: samba, choro, forró, musica eletrônica, tudo isso no movimento dos corpos que brilham e convergem para na noite crua e doce da boemia.
O bairro de Carmen Miranda
Se hoje ela não é mais tão bucólica, como no início do século XX, onde Carmen Miranada pôde brincar e crescer ao lado dos maiores nomes da intelectualidade e dos artistas daquela época, e nem os moradores precisam ir buscar água na bica que ficava embaixo dos aquedutos, o bairro continua preservando aquilo que seu espírito sempre cativou: a diversidade. Tudo isso faz da Lapa e suas adjacências um dos mais democráticos, animados e vibrantes centros de diversão que a cidade ainda continua produzindo.
Lapa reduto de padres
Guardada as devidas proporções, ainda hoje a Lapa continua com seu ar pacato, como em 1750, quando era um reduto de padres que habitavam um convento, um seminário e uma igreja. O marco de sua ebulição aconteceu em 1783, quando se deu a inauguração do Passeio Público, tornando o centro gravitacional dos encontros de seus moradores.
Lapa reduto da corte
A corte chegou à Lapa em 1808 e logo ocupou o casario da região, atraindo um significativo movimento, inclusive a fixação de casas comerciais.
Lapa o Montmarte carioca
Em 1920, a Lapa era um dos bairros mais nobres da cidade e uma espécie de Montmartre carioca, reunindo nomes como Villa-Lobos, Di Cavalcanti, Jaime Ovalle, Ribeiro Couto e Zé do Patrocínio, entre outros músicos, pintores, poetas, cronistas e jornalistas.
Lapa da lagosta e da canja de galinha
Sua tradição cultural ainda permanece associada aos seus cabarés e restaurantes - que serviam de lagosta a canja de galinha – freqüentados por artistas, intelectuais, políticos, diplomatas e, sobretudo, pelo povo.
Lapa hoje
Ainda hoje a Lapa continua dado exemplo de vitalidade e mostra sua capacidade de transfiguração, atraindo para si milhares de pessoas interessadas na boa música, na deliciosa gastronomia e na atmosfera que o casario mantém cheio de histórias e lembranças. Para valorizar e preservar esta riqueza cultural, o Polo Novo Rio Antigo não poupa esforços para promover o associativismo entre os comerciantes, artistas e produtores de modo a garantir um crescimento sustentável da Lapa como destino de cultura e lazer.
Rua Lavradio
Aberta em 1771, pelo Marquês do Lavradio (D. Luís de Almeida Portugal e Mascarenhas, 5.º conde de Avintes e 2.º marquês do Lavradio), o Vice-Rei que muito contribuiu para a modernização do Rio de Janeiro, a rua do Lavradio foi a primeira rua da cidade aberta com finalidade residencial, como parte do saneamento dos encharcados terrenos que então existiam entre os Arcos e o Largo do Rocio (hoje, Praça Tiradentes), conhecidos também como Pantanal de Pedro Dias.
A linha que cinge o Brasil Colônia e Brasil Império
A Lavradio tem uma face curiosa e que poucos dão conta, pois liga o que foi construído no período de Brasil Colônia fortemente identificado nos Arcos da Lapa, e o que foi construído no período do Brasil Império e República, identificado na Praça Tiradentes. Possui prédios históricos dos séculos XVIII, XIX e XX, de grande importância histórica. Além disso, está extremamente próxima à arquitetura moderna da Avenida Chile.
Berço do nascimento da imprensa carioca
Em 1945 os comunistas instalaram na rua do Lavradio, as oficinas de seu primeiro jornal “legal”, a Tribuna Popular. Depois, quase defronte, Carlos Lacerda fundou a sua Tribuna da Imprensa.”
Rua dos Teatros
A ebulição cultural do Centro se estendia aos muitos cinemas na Cinelândia, ao Teatro Serrador e aos muitos teatros da Praça Tiradentes, o Teatro Recreio na rua Pedro I, além dos grandes e famosos cabarés. Mas, no final do século XVIII e início do século XIX, a Rua do Lavradio disputava o prestígio cultural com a Praça Tiradentes, através dos seus vários teatros - a maioria deles, especializados em óperas e operetas como o Theatro Apollo (1890), o Theatro Polyteama Fluminense (1880), o Éden Lavradio (l895), o Theatro Lavradio (1824), (ou do Porphyrio, onde hoje funciona hoje a Loja Maçônica), o Theatro da Exposição de Aparelhos a Álcool (1903), o Theatro Circo (1876) e o Teatro High Life (1900), especializados em artes circenses.
Uma rua em decadência
Com a mudança da capital para Brasília, no início da década de 60, a cidade sofreu um grande baque em todos os sentidos, ao perder a condição de Capital Federal. Com o fechamento dos teatros da região, diversos casarões desocupados transformaram-se em depósitos de móveis antigos. Em 1991, havia na Rua do Lavradio, 25 brechós e antiquários e cerca de 50, somando todos da região. Desta forma, a rua que sempre foi um dos símbolos de efervescência da cidade, entrou em decadência acompanhando aquela vivida também pela Lapa e pela Praça Tiradentes. No início da década de 90, o estado era de caos total. A rua encontrava-se esquecida e em processo de degradação, sem nenhum investimento há anos, por parte do poder público, com a água fétida dos esgotos aparentes subindo até meio metro dentro das lojas, bares e antiquários após qualquer pancada de chuva de verão.
De rua de passagem a berço de antiquários
Se em seus primórdios, a Rua do Lavradio não tinha uma identidade própria e tinha como principal característica ser passagem entre a Lapa e a Praça Tiradentes, com o tempo e, face sua localização, ela ganhou personalidade. Falar em Rua do Lavradio é ter que necessariamente falar de seus brechós, antiquários e outros estabelecimentos, que aqui foram se instalando e que sempre se associaram com suas quitandas, leiterias, bares, bilhares e casas de espetáculos.
Feira do Rio Antigo
Em 1996, um grupo de antiquários e donos de bares e restaurantes, decidiu criar a Feira Rio Antigo, na Rua do Lavradio, unindo-se em torno da ACCRA - Associação dos Comerciantes do Centro do Rio Antigo. Com o sucesso da Feira, veio o Projeto de Recuperação e Reurbanização da Rua do Lavradio, pela Prefeitura do Rio, que contou com o apoio incondicional do então SubPrefeito, o arquiteto Augusto Ivan de Freitas Pinheiro.
Rua do Lavradio hoje
Apesar da identidade própria, e de ter adquirido suas próprias características, a Rua do Lavradio hoje é muito mais que esta passagem não demarcada entre a Praça Tiradentes e a Lapa. Com todas as transformações ocorridas com os anos, a Rua do Lavradio se transformou num elo muito maior, entre a Av. Chile, a Praça XV, o Largo da Carioca, a Cinelândia e a Lapa. Com isso, acabou por se transformar e voltar a ser uma artéria importante no Centro, o coração da nossa Cidade, onde a atuação do Polo Novo Rio Antigo prima pelo aperfeiçoamento do desenvolvimento da feira e melhoria da atratividade local.
Praça Tiradentes
Se o Aqueduto da Carioca (atual Arcos da Lapa) ajudava a travessia para Santa Teresa (Morro do Desterro) por sobre o pântano, a Praça Tiradentes, cujo nome era Campo da Cidade, até o século XVII, a ele se juntava formando uma planície completamente alagadiça, destinada às pastagens, que serviam de alimentos às vacas de seus moradores. Essa região só foi povoada porque a população crescia e precisava ocupar outros locais, ainda que não fosse um primor de beleza e qualidade de vida, já que, como o próprio nome diz, tratava-se de uma Vala, que compreendia também a Rua Uruguaiana e Prainha (hoje, Praça Mauá).
Território de negros e ciganos
Os primeiros moradores do Campo da Cidade foram os negros e os ciganos. Ali foi construída a primeira igreja a pedido dos negros, que formavam a Irmandade de São Domingos, que eram maltratados ao freqüentarem a Igreja de São Sebastião, no Morro do Castelo. Com a nova Igreja, o local passou a ter novo nome: Campo de São Domingo.
Os primeiros moradores do Campo da Cidade foram os negros e os ciganos. Ali foi construída a primeira igreja a pedido dos negros, que formavam a Irmandade de São Domingos, que eram maltratados ao freqüentarem a Igreja de São Sebastião, no Morro do Castelo. Com a nova Igreja, o local passou a ter novo nome:Campo de São Domingo.
Não demoraria muito e a área – delimitada pela Praça da República à Rua Uruguaiana e do Cais do Porto à Rua do Senado – ganharia casas e chácaras e, após negociações, o campo foi dividido entre dois portugueses: Paulo de Carvalho e Pedro Coelho da Silva. As partes que ficavam fora das propriedades de Paulo e Pedro, por não interessá-los, logo ganharam novos donos expulsos de Portugal: os ciganos. O número de moradores era tão grande que a rua (atual Rua da Constituição) ficou conhecida pela Rua dos Ciganos, em seguida, acontecendo o mesmo com o campo que passou a ser chamado de Campo dos Ciganos.
Uma praça, múltiplos nomes
A praça passou a chamar-se Campo de Lampadosa, depois das festas públicas dos fiéis, pelas ruas locais. Em seguida ganhou outro nome: Largo do Rosário Grande e Praça da Constituição, até que, em 21 de fevereiro de 1890, passa a ser chamada de Praça Tiradentes, tendo ainda sido chamada, por pouco tempo, de Praça da Independência, mas voltado ao nome anterior, por não conseguir o convencimento e apoio da opinião pública. Coração econômico e cultural da cidade do Rio de Janeiro, a Praça Tiradentes abrigou inúmeros teatros em sua história, e também ficou marcada pela sua abundante oferta de prostitutas e travestis.
Primeiras linhas de ônibus da cidade
Foi também onde surgiram as primeiras linhas de ônibus da cidade (com tração animal), que partiam da Praça da Constituição.
Monumentos
Igreja da Lampadosa – começou a ser construída em 1748, num pedaço de terreno doado por Pedro Coelho da Silva, e servia também de cemitério dos escravos dissidentes das Irmandades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Conta-se que, por serem devotos do Rei Baltazar, eles saiam em festas pelas ruas, principalmente no Dia de Reis, cantando de dançando, numa espécie de carnaval de rua, como hoje se conhece. Situada quase na esquina da Rua da Constituição com a Avenida Passos, ainda possui a santa que estava no altar no dia 21/04/1792, dia da execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que foi executado ali perto, na esquina da Avenida Passo com a Rua Buenos Aires.
O monumento em homenagem a D. Pedro I - foi a primeira estátua instalada em praça pública no Brasil. Foi concebida pelo brasileiro João Maximiniano Mafra, e executada pelo escultor francês Louis Rochet, assistente de Aguste Roudin. Fixada numa base de granito, a imagem é ladeada por alegorias em bronze que simbolizam os Rios Amazonas, Paraná, Madeira e São Francisco, além de uma mistura de figuras humanas e animais da fauna brasileira.
Real Gabinete Português de Leitura – inaugurado em 10 de setembro de 1887 e tombado em 5 de outubro de 1970, foi projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro e sua inauguração teve presença da Princesa Isabel. Tem estilo maunelino, típico do século XV e XVI, época do reinado de D. Maunel I. Possui peças preciosas, tais como: a primeiras edições de Os Lusíadas, de Camões, o manuscrito do romance Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, o manuscrito do Dicionário Tupy-Gurany, de Gonçalves Dias, e a peça Tu, só tu, puro amor, escrito a mão por Machado de Assis, que era assíduo freqüentador do local, tendo, inclusive, promovido no mesmo local, as primeiras reuniões da Academia Brasileira de Letras, na época ainda sem sede.
Teatro João Caetano – foi inaugurado em 12 de outubro de 1813 com o nome de Real Teatro de São João, nome dado por Fernandinho (Fernando José de Almeida) amigo do Rei, em homenagem a D. João. A inauguração foi com a ópera O Juramento dos Nunes, poema de D. Gastão Fausto de Câmara e música de Marcos Portugal.
Já chamou Teatro Imperial de São Pedro, Teatro Constitucional Fluminense, Teatro São Pedro e, finalmente, Teatro João Caetano. Concedida por D. Pedro II, junto com um alfinete de brilhantes, a estátua que fica em frente ao teatro é uma homenagem a João Caetano (1808-1863) pelo seu sucesso empresarial e artístico. Na verdade, procura imortalizar um momento da atuação de João Caetano na peça Oscar, filho de Ossian, de Arnoult. Foi também nesse palco que aconteceu a primeira apresentação de Carmem Miranda, me 1930.
Igreja de São Francisco/Praça de São Francisco – criada em 1756, o largo só foi calçado em 1817 e era utilizado como lixeira ou cocheira dos animais que faziam a tração dos ônibus.
Teatro Carlos Gomes – sua construção começou em 1929 e sua inauguração aconteceu em 1932. Antes dele, o primeiro palco construído no local foi em 1872 e tinha o nome de Cassino Brésilien e ficava nos fundos do Hotel Richielieu. Embora tenha passado por várias reformas e sido propriedade de diferentes empresários, o Carlos Gomes marcou a história do Rio de Janeiro, principalmente a Praça Tiradentes, por seus grandes espetáculos, dentre eles, o Teatro de Revista, no início do século XX. Peças como: Maxixe (1906), Os Dragões da Independência (1918) e Onde Está o Gato (1929) conseguiam transformar o local numa espécie de Broadway brasileira. Na década de 30, o teatro continua brilhando, principalmente quando recebe a companhia Tro-lo-ló, criada em 1925 por José do Patrocínio Filho e Jardel Jércolis. Em 1932, Oscarito fez sucesso na ribalta do local no espetáculo Morangos com Creme, ao lado de Aracy Cortes.











